• François

Alô alô Prefeito de Natal

Meu amigo Álvaro Dias. Faz muito tempo que não nos vemos, saudade. Mas esse alô não é agradável. Se não pra você, imagine pra quem precisa de você aqui na Praia do Meio.

Nunca havia entrado nesses banheiros redondos, debruados em pastilhas de azul claro, que se espalham pela orla do povão, da praia do povo, pouco ou nada vista pelo poder municipal. E você é hoje esse poder. E pretende voltar a ser.

Pois pois, meu amigo Álvaro, posso continuar chamando assim? Ontem, cobrado por um leitor daqui, desci à orla para conhecer um desses banheiros por dentro.

Consegui? Não. Por que a porta estava fechada? Não. Por que o vigia do lugar impediu? Não. Não tem zelador nem limpador. O portão cedeu rangendo, de ferrugem, e entrei. Força de expressão. Não pude entrar. No corredor de entrada o usuário, no caso eu, encontra uma vereda de Merda que se estende até onde ficam o que seriam mictórios ou cagadores. O banheiro completo é um cagador infecto, cujo miasma nem a máscara que eu usava conseguia atenuar.

Com espalhado de cocô pelas paredes, mostrando que o papel higiênico dali são as mãos cagadas. De quem com elas se limpou.

Senhor prefeito, que é médico de boa reputação, quem administra uma cidade com banheiros naquelas condições, numa praia urbana, dificilmente vai convencer a mim de que tem autoridade pra impor regras sanitárias. Porém, convencer-me não tem importância. Né não?


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