• François

Cazuza mentiu!

O tempo não passa/

nós e nossas coisas/

é que passamos.


O tempo assiste,/

embalando-se numa rede,/

na varanda do espaço.


O calendário é a federação do tempo./

Ninguém vive nos anos nem nos meses/

Vive-se nos dias da semana./

Os dias são os municípios do calendário.

É ai onde se vive/ e se passa.

Nós, o tempo não./ Embala-se ele na avarandada/

rede da imensidão.


Nesses tempos pandêmicos/

de maluquice invacinável,/

Restam-nos apenas dois dias/

para viver.

Só dois! /

Dependendo do humor/

todo dia é Segunda ou Sábado.

Os Domingos morreram./

Ou é um dia antes dele ou o dia que vem depois./

Sábado ou Segunda./

Roubaram nossa semana./

Precisamos de um município para viver!











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