• François

Diálogo da doidice

Dois pescadores, semana passada, na sangria do Açude de São Gonçalo, município de Souza, Paraíba. Com águas entre barrentas e espumantes se atropelando entre pedras e barro no direção do Rio Grande do Norte. Pau dos Ferros esperando.


Tito de Neném e Dedé de Margarida. Anzóis, mochilas a tiracolo, chinelos jogados fora, bonés com bandeiras do Brasil, iscas de minhocas. Roupa guardada numa moita de mofumbo, só de cuecas na beira da correnteza. Na proximidade, uma jaramataia deitada pela força da água, resistente, posto que o caule fino da sua fraqueza difere da resistência da sua raiz. E nenhuma enchente consegue arrancá-la.


Conversavam os dois matutos. "Muita água, né Tito"? E jogou o anzol. "Muita, Dedé. Muita água que Deus manda". "Foi Deus não, Tito". "Não"? Perguntou Tito. "E quem foi"? Aí Dedé respondeu: "Foi o nosso presidente, o boçonaro". "E foi"? "Foi, num sabe qui foi ele quem butou Deus acima de todo mundo"? "Vige maria, uvi dizer, a bom basta"!


"A linha esticou, vem coisa". A traíra esperneou até vir à tona. "Graças a Deus...posso dizer"?...perguntou Tito. Aí Dedé olhou pra ver se o fiscal que estava assistindo a tudo tinha se afastado, falou baixinho: "Pode, o rapaz tá mais uvindo não".


46 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

O que falta acontecer neste país brutalizado, estuprado e descido à condição de submundo do crime oficial. Crimes de Estado. Após chacina em favela do Rio, com aplausos de Bolsonaro, esse genocida cot

Qual a relação? Me veio à memória os tempos idos da Casa do Estudante. Lá cheguei vindo do Colégio Diocesano Seridoense, de Caicó. Caicó me abriu uma janela pro mundo, pelo CDS; a Casa do Estudante me

...da derrota de Bolsonaro. É Lula? Não. Lula sabe que nada está definido. Eleição e mineração só depois da apuração. Lição do velho pessedismo dos tempos saudosos do Brasil ingênuo e democrático. Inc