top of page
  • Foto do escritorFrançois

O "golpe" sonhado foi apenas...

...sonho de quem queria e pesadelo de quem temia.


O que esteve e continua presente na impossibilidade do golpe, que nuca temi, é a falta de condição objetiva para o sucesso da empreitada.


Você pergunta: O que danado é condição objetiva? É o conjunto de causas e situações que permitem a consumação da tentativa.


Vou desenhar. Um sujeito compra uma propriedade, na caatinga, cuja terra é completamente tomada por terreno arenoso. Sem qualquer área alagada. Sua pretensão é plantar arroz. Conseguirá? Não. Ou melhor, pode até plantar, mas nascerá o arroz? Não. Por quê? Porque o arroz precisa obrigatoriamente de área alagada para prosperar. Pra nascer. Se não tem uma vazante de açude, um alagado de lagoinha, uma ribeirinha de riacho ou córrego, não se pode plantar arroz naquele terreno. Porque o alagado é condição objetiva necessária para o plantio de arroz. Sem cuja existência a impossibilidade da colheita é absoluta.


Há condições objetivas, no Brasil de hoje, para um golpe de Estado? Não. Absolutamente não. Há quem queira? Sim. Mas é preciso recorrer a uma lição de guerra. Não tema do inimigo o que ele quer, tema o que ele pode. Os que querem o Golpe podem consumá-lo? Não. Falta absoluta de condições objetivas. Tanto interna quanto externamente. Não interessa às Forças Armadas, única força capaz de consumar um golpe, o rompimento da ordem constitucional para uma aventura cujo desfecho seria a marginalização do Brasil no mundo de hoje. Todos os países compradores e vendedores do e ao Brasil já declararam apoio à legitimidade do pleito que derrotou Bolsonaro. Todos. E só Bolsonaro aceitaria esse rompimento, porque é da sua índole o esgarçamento da sociedade. Um "patriota" de mentira, um "estadista" de missanga e um "honesto" de fancaria. Só. Vai ficar feito maluco estimulando um bando de vagabundos que repetem chavões sem compreensão da realidade nem qualquer senso do ridículo. Vão plantar arroz na pedreira, onde nascem os cactos.



70 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Esconderijo de silêncios (VI)

Desde a partida do padre Salomão, Januária quase acostuma-se com a calmaria religiosa entre as igrejas. O novo padre, tolerante, a igreja Batista, luterana, com um pastor tradicional, os terreiros de

E quando morrer?

Ao nascer, nem lembro quando, se chorei, nasci. Infância de grotas, chãs, pé de serra, frutas, sacristias, chuva e seca, se brinquei, sorri. Adolescência, remanso das dúvidas, morrem as certezas, veló

Esconderijo de silêncios (V)

A chegada de novo pároco em Januária atiçou a curiosidade noturna dos habitantes. O que houvera de fato? O sacristão segurava-se na promessa feita ao padre Salomão. O novo padre, jovem, foi alvo de as

1 Comment


tcarneirosilva
tcarneirosilva
Dec 10, 2022

Verdade, François. Falar em condições objetivas, quero mandar minhas COISAS murchas (Osair Vasconcelos conhece bem) pra você, mas perdi seu endereço. Pode enviá-lo pra tcarneirosilva@gmail.com?

Like
bottom of page