• François

O morcego de Novembro

Pois é. Em Novembro uma vaga surge na caverna dos morcegos. Essa alegoria é uma brincadeira por semelhança plástica e não pelo comportamento dos membros da Corte. Quando eles vêm em fila, com suas becas talares, na direção da Sala das Sessões do Pleno, parecem enormes e sisudos morcegos.

Já se especula sobre vários candidatos à vaga do Decano, que sai por força da aposentadoria compulsória. O jus-integralista, feição tupiniquim do nosso fascismo, Ives Gandra Martins saiu do sarcófago forense em que repousava para fazer a defesa "jurídica" das estripulias verbais de Bolsonaro. Tudo com a capa de "proteger" a instituição da presidência da república. Papo. A verdade é que seu filho, Ives Gandra, ministro do Tribunal Superior do Trabalho, novamente é candidato à vaga. Por que novamente? Porque já fora candidato, quando da vaga ocupada por Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer.

Outro candidato é o juiz bíblico Marcelo Bretas. E essa condição é bem forte. O próprio juiz já declarou numa entrevista à televisão que há muito tempo não ler outra coisa além da Bíblia. E usa a Bíblia para fundamentar sentenças, fazendo a ressalva de que só a usa "nos seus textos históricos". Da literatura em geral, nunca foi leitor. De Direito, estudou o suficiente para passar em concursos. Da doutrina jurídica, prefere a Bíblia como genérico da medicação. É um forte candidato.

O atual ministro da justiça também é candidato. Nada posso acrescentar sobre ele porque nada sei. Mas substituiu Sérgio Moro, o primeiro e invencível candidato, que foi defenestrado. Tem chance.

Há outros candidatos, cuja condição de "terrivelmente evangélico" pesa mais do que notório saber e reputação ilibada. São muitos.

Porém, um novo nome aparece na ribalta. Augusto Aras, atual procurador Geral da República. Esse nome carrega um peso metafórico nessa história da caverna dos morcegos. Por quê? Porque o morcego usa uma tática para não espantar sua presa. Ele abana, com a assa, a parte a ser afetada para anestesiá-la, e só depois ferroa. Isto é, abana e ferroa. Ele apenas inverteu o processo, na relação com o presidente que poderá indicá-lo. Qual seja, ferroou primeiro para abanar depois. Pediu a abertura do inquérito, ferroada. Com isso, sinalizou independência. Agora, faz de tudo para esconder a culpa (dolo) de Bolsonaro. Fala e age como se advogado de defesa fosse. Tudo para preparar a motivação de arquivamento do inquérito. Abano. Morcego esperto.

Bem. Quem será, não se sabe. Talvez nenhum dos citados. O certo é que será uma única vaga em Novembro. Um satisfeito. E vários ressentidos.

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