• François

Parte dona Aída Cortez

Mais uma personagem de uma época que começa a ficar deserta. A última vez que estive com ela foi na sua casa. Cortez me transmitiu o convite dela, e eu fui. Lá estavam o Juiz Antônio Lúcio de Góis e outros amigos do casal. Cachaça, tira-gosto de milho cozido e feijoada.


Num determinado momento, eles chamam uma adolescente e mandam que ela me dê um abraço. Dona Aída diz: "Essa é a criança que eu levava na barriga naquela tarde de Domingo, na Casa do Estudante".


Papo boníssimo. Cortez era um conversador cativante, erudito sem ser posudo. Fora meu professor, com quem mantinha discussões acaloradas, em sala de aula. Até o assunto do meu discurso na Casa do Estudante, quando dona Aída foi até lá fazer a entrega de uma Kombi, saiu. Discurso que me rendeu uma prisão e condenação na Auditoria Militar, em Recife. Ela me visitou, na cadeia. No depoimento dela, na Polícia Federal, ela negou que tenha sido agredida. Disse: "Ele parecia recitar".


Período Médici, governador não tinha força para prender nem prestígio para soltar. Dona Aída Ramalho Cortez era uma figura doce. Saudade de uma época de trevas e sonhos, loucura e esperança.

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