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Poema para Gibran

Não me interessa mais/

que horas são./


Nem quais são as orações/

de cada hora.


Não poderei dizer/ com Khalil Gibran/

que "ninguém nunca ouviu minha boca pronunciar uma oração"./


Muitas foram pronunciadas/

numa reza sem qualquer convicção./

Terços debulhados/ para salvar almas/

ou espantar fantasmas inexistentes./


Tudo perdido num relógio do sol,/

marcando a perda do tempo./


Mas se o tempo não se recupera/

a reza também não./

Fica tudo pronunciado/ na anunciação do desperdício,/

que é o destino da oração./


Gibran Khalil Gibran, "Jesus, o filho do homem:"/

"Vossos filhos vêm de vós, mas não são vossos".


Quanta oração jogada ao vento,/

e quanto vento a jogar orações/

no despenhadeiro de ouvidos moucos./


Não me interessa que horas são./

Nem qual seja a oração da hora certa./





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