• François

Requião, cada vez melhor

Vi, ouvi e me emocionei com a entrevista de Roberto Requião ao Portal da revista Fórum. Entrevistado por Rovai, Cynara e Dri. Miolo de aroeira, raiz da jaramataia, água de alisar pedras em córrego dos Dormentes. É o retrato que consigo fazer de Requião.


Aí você pergunta: um paranaense tem esses atributos do Nordeste? Sim, senhor! Requião tem ancestrais nordestinos. Um da Bahia, outro de Sergipe. Um bisavô dele foi lugar tenente de Frei Caneca, na revolução libertária de 1817 e na Confederação do Equador.


Esse seu ancestral tem algo em comum com uma ancestral minha. Bárbara de Alencar, nascida no Exu, na mesma fazenda onde nasceu meu bisavô, que veio, depois de Maranguape, onde nasceu minha avó, ser juiz na Serra do Martins. Bárbara mudou-se para o Crato ainda criança, após a adolescência casou com um rico comerciante português. Poderia ter tido uma vida fácil, de rica. Mas optou pela luta revolucionária. Foi a primeira mulher brasileira presa e torturada por motivos políticos. Militou na mesma revolução em que lutou o ancestral de Requião.


Bárbara de Alencar, revolucionária, teve dois descendentes que desmereceram sua história. Meu bisavô, João Antunes de Alencar e o seu primo escritor José de Alencar, ambos reacionários e monarquistas. O meu bisavô, juiz em Martins quando da proclamação da República, renunciou à magistratura e voltou para Fortaleza, deixando minha avó, de doze anos, com casamento ajustado com um filho de Bisinha Suassuna. Casamento que ocorreu oito anos depois, na Fazenda Cajuais, hoje município de Riacho da Cruz.


Viva Roberto Requião. Viva a luta de libertação popular e a consolidação da Democracia.



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