• François Silvestre

Sobre o caso #MariFerrer. Por Raíssa Tâmisa.

Atualizado: 5 de Nov de 2020

"Não existe justiça no caso Mariana Ferrer. Não existe juízo que resista ao soco na boca do estômago que levamos todas nós, mulheres, ao nos depararmos com os abusos que o Intercept Brasil revelou ontem. Um nojo generalizado tomou conta do meu corpo, um nojo inexplicável em ser mulher no Brasil hoje. E acredito que esse foi um sentimento compartilhado por todas. Ver a vítima ser exposta de forma tão vil e cruel, tendo que se defender durante a própria acusação, foi estarrecedor. Não bastou ter sido violada física e psicologicamente desde o dia do crime. CRIME DE ESTUPRO. Teve que reviver a trajetória da sua dor pela boca de terceiros, asquerosos, desumanos, que nunca, em hipótese alguma, saberão na pele o que é se sentir mulher no Brasil de hoje. Dois mil e vinte, ‘pleno’ século vinte e um. Difícil tempo esse em que é preciso defender o óbvio, como disse Brecht no nada fácil tempo dele. Que sensação de fracasso. Aos homens que tanto questionam lugar de fala quando o assunto é moral, os que dão pitaco sobre descriminalização do aborto ou qualquer outro tema relacionado ao direito do corpo da mulher, a hora de somar força é essa. Se querem realmente ajudar, não se omitam, amplifiquem nossa voz. Não deve existir silêncio no caso de Mariana Ferrer e de nenhuma outra VÍTIMA de estupro. Desenhando, aquele CRIME que é sempre DOLOSO".


Do Blog:

O pior estupro que essa jovem sofreu não foi o da violência física, do ato sexual sem consentimento. Não. Houve um segundo estupro, mais grave, estupro moral. Delito agravado por ter sido coletivo. Onde? Numa alcova? Não. Pasmem! Numa audiência judicial.

Um advogado, estuprador moral, violentou a jovem na presença do Juiz, do promotor e do seu próprio advogado. Agrediu a vítima com todas as baixarias que você possa imaginar. E o Juiz, cúmplice do estupro moral, silente. O promotor também. E o advogado da vítima, idem. O código de ética da Magistratura foi violentado. Esse Juiz jogou lama na própria toga. Esse promotor substituiu o promotor natural da causa, sem explicação plausível, que pedira a condenação do réu. E o advogado da vítima a tudo assistia sem esboçar uma reação.


Tem safadeza grossa nessa coisa. E toda safadeza, nessa seara, envolve suspeição.

Conselho Nacional de Justiça, Conselho do Ministério Público, comissão de ética da OAB obrigam-se à apuração. Sob pena de cumplicidade omissiva.


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