• François

Um alienado moderno

Calma, não me refiro ao capitão e muito menos ao general. Esses são alienados jurássicos. Eles e seus adoradores.

Refiro-me a um sujeito que viveu e vive intensamente. Que leu razoavelmente bem, mesmo não o suficiente. Que esteve presente nos tempos da Ditadura nojenta. E aliou-se aos que resistiram. Denunciou o espectro infernal onde a nojeira da tortura infectava de sangue e sêmen o útero fedido dos seus cárceres.

Pois bem. Quem é? Sou eu. Sou confessadamente um alienado moderno. E provo.

Só hoje conheci Felipe Neto. E se é dia de confissão, pois todo dia agora é Domingo, confesso. Foi uma agradabilíssima surpresa. Meu neto, seu xará, já o conhecia de longa data. E o seguia.

Felipe Neto me aparece feito Sinésio, o alumioso. Entrando em Taperoá, ao meio-dia, no Romance da Pedra do Reino. Que figura. Inteligente, fluente, simples, antenado e convincente.

Sou ou não sou um alienado moderno? O jeito é desalienar-me. Ensinou o sábio chinês que só envelhece quem perde a capacidade de amar, de aprender e de revoltar-se.

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